Creepypasta:Jogo de Pokemon Assassino


Nas primeiras semanas após o lançamento de Pokémon Red e Green no Japão, 27 de fevereiro de 1996, pra ser exato, foi registrada uma alta na taxa de mortalidade entre crianças de 10-15 anos....
As crianças eram encontradas mortas por suicídio, normalmente se enforcando ou pulando de lugares altos. No entanto, algumas mortes eram mais estranhas. Alguns casos falavam de crianças que começaram à cortar fora seus próprios órgãos, outras enfiaram a cabeça dentro do forno, e se esganavam com as próprias mãos, colocando o punho garganta abaixo.
As poucas crianças que foram salvas antes de se matarem mostravam comportamentos em comum: Quando perguntadas porque haviam tentado se matar, elas só respondiam com gritos e arranhavam o próprio rosto. Quando expostos à algo que aparentava ter conexões com o evento, o gameboy, não faziam nada, mas quando combinado com um cartucho de Pokémon Red ou Green, os gritos se repetiam, e as crianças faziam de tudo para sair da sala onde o videogame se encontrava.
Isso confirmou a suspeita das autoridades de que os games, de alguma forma, estavam ligados com as crianças e as mortes. Era um caso estranho, porque várias crianças que possuíam o jogo não mostravam esse comportamento, só algumas. A polícia não teve escolha senão perseguir essa evidência, pois não haviam outras.
Confiscando os cartuchos dessas crianças, eles selaram os jogos como evidências importantes que seriam úteis mais tarde. Eles decidiram que a primeira coisa à se fazer era falar com os próprios programadores. A primeira pessoa que encontraram foi o diretor do jogo, Satoshi Tajiri. Quando informado sobre as mortes envolvendo seu jogo, ele pareceu desconfortável, mas não admitiu nada. Mandou a polícia falar com os principais programadores do game, responsáveis pelo conteúdo em si.
Os detetives se encontraram com Takenori Oota, um dos principais programadores do jogo. Diferente de Satoshi, ele não parecia incomodado, mas era muito reservado. Ele explicou que era impossível usar algo como um jogo para causar tais mortes, e também lembrou-os de que nem todas as crianças haviam sido afetadas, ele tentou se livrar dos detetives dizendo que era algum tipo de coincidência ou histeria em massa. Parecia estar escondendo alguma coisa, mas não iria se entregar. Finalmente ele disse algo interessante.
Takenori havia ouvido um rumor sobre a música de Lavender Town, uma das locações do game, que ela podia fazer crianças adoecerem. Era só um rumor, e não tinha muita garantia, mas ainda era algo para apostar.
Ele dirigiu os detetives à Junichi Masuda, o compositor da música. Masuda também havia ouvido os rumores, mas disse novamente que não havia evidência de que a música era a causa. Até pra provar ele tocou a música inteiramente sem nenhum efeito estranho à ninguém, nem os detetives nem Masuda, perceberam nada diferente ou estranho. Apesar de ainda suspeitarem de Masuda e da música de Lavender Town, parecia que eles haviam chegado à outro impasse.
Voltando aos cartuchos confiscados, eles decidiram olhar diretamente nos jogos. Eles sabiam que os jogos que haviam dado esses efeitos estranhos nas crianças, então tomaram cuidado absoluto. Colocando o cartucho e ligando o console, o jogo bootou. A tela título apareceu, e a opção de começar um novo jogo ou continuar apareceu.
Quando eles escolheram continuar o jogo, os stats do jogador apareciam. Eles viam os nomes das crianças que haviam jogado, normalmente “Red” ou outro nome simples. No entanto, o mais interessante era o tempo de jogo e o número de Pokémon que eles possuíam. Em todos os saves o tempo era bem pequeno, e todos tinham apenas um Pokémon no inventário. Os detetives chegaram à chocante conclusão de que não podia ser a música da cidade Lavender, pois era impossível chegar tão longe no jogo em tão pouco tempo e com só um Pokémon. Havia de ser algo do começo do jogo que causou os problemas.
Se não havia sido a música, nem a tela de título, tinha de ser algo nos primeiros minutos do jogo. Eles não tiveram escolha a não ser desligar o jogo e voltar aos programadores. Ao pedir uma lista do pessoal para Takenori, eles descobriram que, surpreendentemente, um programador havia se suicidado pouco depois do lançamento do jogo. Seu nome era Chiro Miura, um programador obscuro que havia adicionado pouco ao jogo. Mais interessante ainda, ele havia pedido que seu nome não aparecesse nos créditos, e então não foi.
Procurando por evidências no apartamento de Chiro, eles acharam muitos bilhetes escritos em marcador permanente. As poucas palavras legíveis eram “Não entre”, “Cuidado” e “VENHA, SIGA-ME” em negrito. Os detetives não estavam certo do significado, mas eles tinham de ter alguma conexão. Procurando mais, eles descobriram que Chiro era muito amigo de um dos designers de mapas, Kohji Nisino, e essa era provavelmente a única razão de Chiro ter tido parte na programação do jogo.
Kohji Nisino, desde o lançamento do jogo, havia se trancado em seu apartamento, saindo pouco, apenas à noite, para comprar qualquer coisa de que necessitasse. Ele falou aos amigos e família que estava de luto por seu querido amigo Chiro, mas os detetives não acreditaram nisso, porque Nisino havia se trancado no dia do lançamento do jogo, poucos dias antes de Chiro ter se matado.
Era perturbador, mas as autoridades finalmente persuadiram Nisino à sentar e conversar com eles. Ele parecia não ter dormido a dias, grandes anéis negros sob seus olhos. Ele fedia, suas unhas estavam pretas e seu cabelo oleoso, grudado em sua testa e pescoço. Ele falava gaguejando e murmurando, mas ao menos tinha algo à dizer.
Quando foi perguntado se sabia sobre as crianças que morreram e se havia conexão com o jogo, ele respondeu aparentemente com cuidado, escolhendo bem as palavras antes de falá-las. Ele disse que seu amigo Chiro tinha uma idéia interessante para o jogo, algo que ele queria experimentar desde que o projeto havia começado. Nisino conhecia Takenori, o diretor e programador principal, pessoalmente já de muito tempo, então ele podia facilmente colocar um programador mediocre no projeto com alguma persuasão. Parecia que Chiro havia convencido Nisino à colocá-lo no projeto, e havia funcionado.
Os detetives sabiam ter achado algo. Esse programador misterioso, Chiro, tinha de ter algo à ver com isso, alguma coisa... Eles perguntaram qual era a ideia de Chiro, ora ele nunca iria querer tanto participar da criação de um jogo de crianças. Nisino falou que Chiro nunca havia falado muito nisso, fora uns detalhezinhos aqui e ali. Ele queria inserir um Pokémon extra ao jogo, um completamente diferente dos outros. Seria como um extra, uma emoção fora de lugar para o jogador. Não era, no entanto “Missingno.”. Não podia ser. Com o tempo de jogatina nos cartuchos, era impossível as crianças terem tido tempo de encontrar esse Pokémon.
Nissino, por toda a conversa, parecia ficar pior à cada pergunta, os detetives forçaram mais e mais, procurando em sua mente por qualquer informação sobre o jogo e Chiro... E os planos de Chiro...
Foi quando perguntaram dos bilhetes no apartamento de Chiro que ele enlouqueceu de vez. Debaixo do sofá onde estava sentando, ele puxou uma pistola, apontando-a direto nos policiais enquanto se afastava uns passos. Então, rapidamente, levou a pistola à sua cabeça.
NÃO ME SIGAM... Gritou Nisino enquanto enfiava a pistola em sua boca e puxava o gatilho. Foi rapido demais para a polícia reagir. Nisino havia se matado, falando uma frase pouco diferente do que estava escrito num dos papéis de Chiro...
Parecia que todos os suspeitos haviam finalmente morrido... A equipe que criou o jogo original estava se separando, ficando mais difícil de localizar. Como que guardassem um segredo. Quando a polícia finalmente conseguia falar com alguém que havia colaborado no jogo, até mesmo os designers de personagens ou monstros, parecia que eles não tinham nada de interessante à dizer. A maioria nem conhecia Chiro, e os poucos que o conheciam só o haviam visto uma ou duas vezes trabalhando com o jogo. Através de tudo isso, a única confirmação que tiveram era de que Chiro era mesmo o que havia trabalhado no começinho do jogo.
Poucos meses haviam se passado após os suicídios originais, e a mortalidade havia caído dramaticamente. Parecia que o jogo não mais causava problemas à qualquer criança. O recall de jogos que havia sido planejado foi cancelado, pois parecia que o jogo não estava mais atrapalhando ninguém. A polícia já começava à pensar que Takenori estava certo, e que era tudo uma coincidência bizarra... Até que eles receberam o bilhete.
Foi entregue pessoalmente à um dos detetives, diretamente na rua. Foi uma mulher que o entregou o bilhete, uma mulher magra e de aparência frágil. Ela entregou o bilhete rápidamente, dizendo que era algo que ele precisava ver, e sem esperar resposta nem falar outra palavra, ela saiu e sumiu na multidão. O detetive levou o bilhete ao seu escritório e chamou os outros, para lê-lo em voz alta.
Era um bilhete escrito pelo próprio Chiro, mas não era um dos encontrados em seu apartamento. Eles já haviam revirado e limpado o lugar, então, seja de onde veio esse bilhete, ele não estava em sua casa. Estava endereçado à Nisino. Começou bem formal, um olá, como vai você, um abraço para a família, e tudo o mais. Depois de um ou dois desses parágrafos normais, eles chegaram à uma seção que pedia à Nisino que o colocasse na equipe do jogo, pra lhe dar um cargo de programador em Pokémon.
Enquanto a carta continuava, a caligrafia parecia ficar mais malfeita. Ele falava de uma ideia gloriosa que ele havia tido, uma forma de programar algo nunca visto antes em um jogo. Ele disse que certamente iria revolucionar não só a indústria, mas o mundo. Ele continuou dizendo que era muito simples adicionar essa idéia ao jogo. Ele nem teria de adicionar nenhum programa estrangeiro, mas poderia usar o que já estava no próprio jogo. Isso iria, os detetives concordavam, tornar impossível detectar algo obscuro no próprio programa. Era o modo perfeito de esconder seja o que fosse.
O bilhete acabava abruptamente, não havia nada de “tchau”, nada de “diga olá à família”, nada de “aguardo resposta”, nem “obrigado”. Nada do tipo. Só o nome, rabiscado com força de forma à quase rasgar o papel. Só o nome “Chiro Miura”.
Isso foi a gota d'agua para os detetives, eles já não tinham duvida sobre a causa. Chiro havia programado qualquer coisa no começo do jogo, algo enlouquecedor. Para aumentar essa maré de sorte, veio a descoberta de que os programadores trabalhavam em duplas, até o próprio Chiro. Ele havia trabalhado com outro programador: Sosuke Tamada.
Se alguem sabia o segredo do jogo, tinha de ser Sosuke Tamada. Essa era a última esperança de resolver esse mistério de uma vez por todas.
Eles descobriram que Sosuke havia programado muito do jogo, e parecia ser um cara normal e bom empregado. Eles foram facilmente admitidos em sua casa, um lugar normal, e eles entraram na sala de visitas onde sentaram. Sosuke não se sentou, no entanto. Ele ficou na janela do segundo andar, olhando para a rua. Ele sorria um pouco.
Não houveram testemunhas ao seguinte evento, a única coisa que sobrou da conversa foi encontrado num gravador colocado na mesa perto da qual os detetives haviam conversado com Sosuke. O que você lerá à seguir é a gravação sem alterações:
“Sosuke Tamada, que parte você fez nos jogos eletrônicos Pokémon Red e Green?” Perguntou um detetive
“Eu fui um programador.” A voz dele era leve, amigável, até demais “Só isso” Completou.
“Está correta minha informação de que os programadores trabalharam em equipes?” perguntou o detetive.
Dava pra ouvir o som de pés andando pelo chão, “Você está correto...” Disse Sosuke depois de um curto silêncio.
“E o nome de seu parceiro era --” O detetive foi cortado pela voz de Sosuke, agora um pouco medonha
“Chiro Miura... Esse era o nome. Chiro Miura.”
Mais silêncio. Parecia que os detetives estavam um pouco assustados com esse homem. “Poderia nos dizer se Miura agia de modo estranho? Algum comportamento que você observou enquanto trabalhava com ele?”
Sosuke respondeu “Eu não o conheço bem, na verdade. Não nos encontravamos com muita frequencia, apenas de vez em quando para trocar dados, ou quando o grupo todo era chamado para uma reunião... Foram as únicas vezes que eu realmente falei com ele. Ele agia normalmente, se não me engano. Ele era muito baixinho, e eu acho que isso afetava sua consciência... Ele agia como se fosse mais fraco que todos. Ele queria fazer muita coisa para ser reconhecido, isso eu sei. Eu acho que...”
Silêncio. “Sim?” Perguntou o detetive, pressionando-o a continuar. “Você acha que?”
“Eu acho que ele era muito fraco. Acho que ele queria se provar mesmo assim... Eu acho que ele queria ser conhecido por algo especial, algo que faria as pessoas esquecerem o que ele aparentava e olharem para a poderosa mente dentro de sua cabeça... Infelizmente pra ele... Hehheheh... Ele não tinha uma mente muito forte para realizar esse sonho.”
“Porque diz isso?” Perguntou o detetive.
“Era só a verdade” Respondeu Sosuke rapidamente. Dava pra ouvir seus pés andando pelo chão de azulejos. “Ele não era nada especial, mesmo que ele quisesse acreditar nisso. Você não pode se tornar grande, msemo que você acredite. É impossível... De algum modo, eu acho que Chiro sabia disso. No fundo, no fundo, ele sabia.”
Os detetives ficaram calados de novo, incertos de como continuar a conversa. Depois de algum tempo, eles continuaram “Pode me dizer qual foi a parte de Chiro no jogo? O que ele fez exatamente?”
Sosuke respondeu mais rápido do que nunca “NADA... Digo, nada importante. Ele trabalhou em partes obscuras do começo do jogo...” Uma pausa, depois um pouco mais de informação. “Foi a parte do professor Carvalho pra ser exato. Ele trabalhou em algumas das partes do Carvalho, quando você o vê pela primeira vez, sabe...”
“O que mais?” Pressionou a polícia. Eles podiam ouvir na voz de Sosuke. Ele sabia alguma coisa. “Sabemos das mortes e das crianças. Sabemos que foi Chiro o culpado. Ele colocou algo a mais no jogo.”
“O que está insinuando?” perguntou Sosuke. Parecia estar tentando se controlar.
“Só estamos dizendo que, sendo parceiro dele, você está escondendo algo de nós, pois você pode ser tão responsável pela morte daquelas crianças quanto o próprio Chiro!”
“Não podem provar nada!” Gritou Sosuke.
“Então conte-nos o que Chiro fez ao jogo!” Gritaram de volta
“O QUE EU MANDEI!!”
Silêncio. Silêncio absoluto...
“Querem saber, né?” Perguntou finalmente, quebrando o silêncio. “Querem saber o que é tudo isso? Chiro era um idiota. Faria qualquer coisa por um pouco de atenção, qualquer coisa mesmo. Ele também não programava m*rda nenhuma. O que ele fazia de melhor, no entanto, era ser manipulado. Bastava dizer-lhe o que fazer e ele faria. Ele nem questionava. Ele fazia. Só pra ouvir um “obrigado” quando ele acabava, esse era seu motivo. Era tudo que ele queria.”
Ouvem-se dois cliques das armas dos detetives.
“Eu o controlava sem problemas. Ele é muito parecido com Takenori... É claro que ninguém sabia disso, mas EU fui o que teve a ideia do jogo, a ideia de toda a operação. Eu só disse ao camarada o que fazer, e ele me seguia sem duvidar. Ele não sabe de nada, igualzinho ao Chiro.”
Ouve-se o som da janela abrindo, seguido pelos detetives:
“NÃO SE MOVA! VAMOS ATIRAR!”
“Deixe me contá-los sobre a mecânica do jogo...” Continuou Sosuke. Ele falava mais rápido, mas ainda soava assustador. “Considere isso uma dica, OK? Se você anda nas graminhas Pokémons aparecem, e você tem uma luta com eles. É uma parte essencial do jogo, sabem?”
“Saia de perto da janela! Não avisaremos de novo!”
“No começo do jogo você vai nas graminhas sem que Carvalho tenha lhe entregue seu primeiro Pokémon, entendeu? Em circunstâncias normais, foi programado pra que mesmo na graminha, não hajam Pokémons... Eu fiz diferente. Eu manipulei Chiro, disse que era pra por no programa, dei-lhe todas as instruções, e ele fez sem falha. É raro, mas pode acontecer... Pisando naquela grama, um pode aparecer...”
“Sosuke, não queremos atirar!”
“Atirar em mim?” Perguntou Sosuke rindo. “Atirar... EM MIM? Vocês são tão burros quanto Chiro! Quando ele descobriu a verdade ele teve que acabar com tudo! Era culpa dele afinal! Ele se matou por causa disso! Se você está tão determinado à fechar o caso, se querem mesmo saber, joguem vocês mesmos a p**** do jogo! Jogue o dado, quem sabe? Talvez descubram o segredo!”
Ouve-se um tiro, alto o bastante pra distorcer o áudio. Sons de gritos, murmúrios puderam ser ouvidos. A mesa onde estava o gravador quebrou, distorções do som. Silêncio. E então risos. Sosuke ria, e então palavras. “Venha, siga-me.... Venha, siga-me....” E então nada!
O gravador continuou até que a fita acabou. Não havia mais nada lá. A polícia chegou logo á cena, e descobriu Sosuke e os dois detetives mortos. Todos haviam levado tiros, mas não sem lutar. Os detetives haviam levado muitos tiros. Pelo menos dez em cada um. Sosuke morreu de exatamente dois tiros no peito, direto no coração.
O jogo estava causando um massacre. Pelo menos cem crianças haviam morrido. Nisino, morto. Chiro, o fantoche manipulado, morto. Os dois detetives, mortos. E agora, até o criador, a causa dessa atrocidade, Sosuke, morto. O jogo se esticava muito além de sua intenção original. Ele estava matando todos que se envolviam.
O detetive chefe decidiu abandonar o caso. O homem que havia executado o crime estava morto, não havia motivo para continuar o caso. Toda a evidência, cartuchos, bilhetes, notas, todos foram trancafiados, devolvidos para o escuro de onde vieram. Haviam conversas sobre a coisa toda, pequenas conversas aqui e ali, mas os anos passaram e tudo foi esquecido. Eventualmente só sendo lembrado pelos que o viram em primeira mão.
Dez anos se passaram. 27 de fevereiro de 2006 era a data. O detetive chefe, o homem que havia trancafiado as evidências dez anos atrás, se lembrou daqueles terríveis eventos. Apesar de não estar mais na força policial, ele ainda tinha acesso aos arquivos e recebeu ajuda quando pediu. A lembrança do evento o fez olhar pra trás, e abrir o contêiner onde toda a evidência estava.
Ele leu os bilhetes e notas. Lembrou-se daquela mulher que apareceu na rua um dia e lhe deu a prova que mudou todo o caso. Ele se perguntava quem ela era, de onde ela tinha vindo. Talvez fosse a mãe de Chiro... Ou de Sosuke. Era muito tarde para pensar nisso, tarde demais...
Fechando o contêiner de novo, ele viu um outro logo atrás desse. Ao pegá-lo ele leu o escrito em cima. “Evidência #2104A” Ele abriu, e olhou dentro. Dentro da caixa haviam exatamente 104 cartuchos de Pokémon Red/Green, cada um em condição perfeita, intocados desde o lançamento, 10 anos atrás.
Ele pegou um, Pokémon Red. Ele não via um desses há muito tempo. Ele não sabia o que estava pensando, mas foi em sua mesa e pegou um Gameboy velho. Ele o havia recebido há muito tempo, mas ainda funcionava. Era do filho dele, que havia morrido alguns anos atrás. Sua mulher também estava morta... Colocando o cartucho no slot do Gameboy, ele ligou o sistema.
A tela título. E então o menu para continuar ou começar uma nova partida. “Tanaka”... Esse era o nome do garoto que o havia jogado primeiro. Provavelmente morto, assim como todos os outros. O detetive escolheu “Novo jogo”, e começou. Era normal. Ele andou por aí, falou com sua mãe, e saiu. Ele foi em direção à grama
Em sua cabeça ainda ecoavam as palavras de Sosuke. Apesar de ele nem estar lá, apesar de nunca ter visto Sosuke em sua vida, ele o via, o escutava. “Venha, siga-me...”
Ele chegava mais perto e mais perto... Só um ou dois quadrados de distância “Jogue o dado, quem sabe? Talvez descubram o segredo pessoalmente!”
Ele entrou na grama. A tela não fez nada de primeira. Nada mesmo. Só ficou lá, e o detetive também, parados, como se o tempo tivesse parado pros dois. A tela piscou preto, o clássico fundo de batalha apareceu.
Os olhos do detetive arregalaram. Ele leu o que havia na tela:
“Venha, siga-me, venha, siga-me, venha, siga-me. Sinto sua falta papai. Sinto sua falta amor. Sentimos tanta falta de você....”
Ele tinha lágrimas em seus olhos, escorrendo por seu rosto. Telas e mais telas de texto, o homem as lia rapidamente. Sua mulher e seu filho. Falando com ele, chamando ele, chorando com ele. Queriam vê-lo, amavam ele, ele os amava!
“Eu tambêm te amo” gemeu o homem, chorando.
“Venha, siga-me, seja criança de novo! Queremos vê-lo e abraçá-lo, e ficar com você pra sempre...”
“E SEMPRE, E SEMPRE...”
“Não se afaste. Pode nos ver também... Sentimos sua falta... Venha, siga-me... Nós te a--”
Tela preta, o queixo do detetive caído, seus olhos arregalados... A tela acendeu de novo, Carvalho o levava pra longe da grama “Venha, siga-me...” Dizia ele....
“NÃO!” Gritou o homem, jogando o jogo no chão e depois tentando pegá-lo de novo e levando o console à sua face. “TRAGA-OS DE VOLTA, TRAGA-OS PRA MIM!” O jogo continuava normal, sem responder ao detetive. “Minha esposa, meu filho, me ouçam! Tragam-nos de volta!”
Vozes... Centenas delas. Ele virou pra trás. Haviam crianças, centenas de crianças, algumas sem olhos, outras com anéis no pescoço, algumas todas queimadas. Elas gritavam, tentando alcançá-lo.
“Traga minha mãe, meu papai, meu bichinho” diziam elas, tentando pegar o jogo, suas mãos tremiam com dor e horror. “Eu não quero que eles vão, traga eles de volta!”
“Não! Gritou o detetive. “É meu! Minha família está aqui, não toquem nisso” Ele estava claramente aterrorizado.
“Venha, siga-me...” Disse uma voz. O detetive olhou pra cima, e no canto da sala, estava Sosuke. Ele estava no canto, alto, bonito, e limpo. Sorrindo de orelha a orelha “Venha, siga-me...”
O detetive levantou, se afastando, tentando afastar as crianças, pegando o jogo firme em suas mãos. “O que está acontecento aqui? O que? Onde está minha família?”
Sosuke sorriu com generosidade “Vou te mostrar. Te ajudarei à se livrar das crianças! Siga-me” Sosuke abriu uma gaveta. O detetive se espremendo entre as crianças, olhou pra dentro.
Lá estava, coberta de poeira, sua velha arma de quando ele estava na força. Ela a havia guardado, querendo esquecer tudo o que viu. Mas agora ele não mais havia como algo que matava e feria. Ela brilhava, era a luz! Podia libertá-lo!
“Apenas siga-me.” Disse Sosuke, entregando a arma na mão do detetive e puxando a mão até a cabeça “Puxe o gatilho, só isso!”
O detetive virou e viu as crianças, rastejando, agarrando suas pernas e puxando, elas queriam o jogo. Ele olhou pra Sosuke e sorriu.
“Minha família... Vou seguí-los.” E puxou o gatilho. BANG! Seu cérebro se espalhou pelas paredes e ele caiu no chão, morto.
Dias depois o corpo foi descoberto, jogado no chão, sangue em volta. Em uma mão uma velha pistola, na outra um velho Gameboy com Pokémon Red. A bateria há muito vazia, e só uma tela preta restava...
Esse foi o último assasinato que as autoridades permitiriam. O ultimo detetive sobrevivente ao caso, pessoalmente pegou todos os 104 cartuchos e queimou todos, tendo a certeza de não deixar nada. Para que mais nenhuma vida fosse tomada.
Mas a história ainda não acabou. Dizem que o código sobreviveu, e até foi parar nas versões americanas do jogo. Se você tem um game antigo de Pokémon, você pode colocá-lo no velho Gameboy, ligar o sistema e jogar os dados... Quem sabe? Talvez descubram o segredo pessoalmente!
Autor:Desconhecido
Comentários
0 Comentários