Creepypasta:Sempre siga a luz! - Parte 3



Eu voltei à realidade. Segurando uma foto que era para estar coberta de lágrimas, mas não estava. Diferente disso, eu escutei uma voz familiar vindo de trás de mim. Uma voz que jurava estar louco por escutar.
"Irmão, o que está fazendo?". Enquanto abaixava a foto lentamente, eu dei uma rápida olhada para ela e para a pessoa atrás de mim, não havia enganos, era a minha irmã. Sim, ela estava logo atrás de mim com os braços entrelaçados e com a cabeça posta de lado, me observando, preocupada. "Aconteceu algo?", ela perguntou com preocupação. Eu imediatamente mostrei a foto a ela e disse: "Nada, só lembrando de velhos tempos e me questionando se sempre será assim." Eram palavras fortes, mas eu sabia que ela era forte também. Toda criança em seu interior é forte. Ela sorriu para mim. "Que besteira, vamos sempre brincar até quando formos adultos. Podemos até brincar no trabalho!", ela dizia com uma alegria que me fazia sorrir também. Eu comecei a me perguntar se estava louco. Existia uma clara linha entre a razão e a irracionalidade, mas parece que eu havia cruzado as duas e criado uma em que o sentido é perdido. O fato de minha irmã ter morrido, será que foi um sonho? Talvez eu tivesse sonhado e meu sub-consciente achou que fosse uma memória. Não é impossível, existem sonhos que são muito reais mas que as pessoas não se lembram. Talvez tenha sido isto. Não, com o que ela disse logo em seguida, com certeza foi. "Quer me ajudar a levar as coisas pro papai?". "Pai?" Eu me espantei quando ouvi uma voz grossa vindo do final do corredor. "Filha, já pegou a gravata do pai?!". Era a voz de meu pai, eu a reconheceria em qualquer lugar. Minha irmã me entregava uma gravata, dizendo: "Toma, eu vou dizer que você me ajudou. Assim o papai não vai ficar bravo porque não vai descobrir que você só acordou agora!" Ela me entregou a gravata e foi correndo até o quarto de meu pai, eu fui logo atrás. Eu entreguei junto com ela os pertences de meu pai. "Ah, veja quem finalmente levantou cedo. Isto é um milagre.", disse meu pai enquanto ajeitava a gravata, olhando-se no espelho. "Sim, o Matheus me ajudou muito!". "É verdade? Que bom filhinha. E também parabéns ao moço que a cada dia se torna um homem tão responsável quanto seu pai.", ele dizia enquanto tava os toques finais no cabelo e ajeitava ainda mais a gravata em seu terno. "Estou feliz em poder ajudar...", eu respondia, ainda um pouco hesitante perante à situação. "Engraçado, porque eu acabei de ver que você estava dormindo e sua irmã estava me ajudando sozinha", ele riu ironicamente, mostrando que já sabia de tudo. "Você deveria agradecê-la por isso." Eu, obviamente descoberto, só pude fazer o que me cabia a fazer: Agradecer a ela, porém foi aí que congelei. Eu agachei e me preparei para dar um agradecimento e um abraço de irmão, porém... "Obrigado...é, obrigado...". Eu esqueci. Eu esqueci.... Eu esqueci o nome de minha própria irmã. Isto não é possível. Eu tento me lembrar com todas as minhas forças, mas não consigo. Eu só posso olhar para o rosto triste dela, como se tivesse percebido, e crio coragem para terminar aquilo logo ali. "Obrigado minha querida irmã", eu dizia enquanto abraçava ela. Uma sensação de desconforto logo veio a mim: "O que está acontecendo?", eu me perguntava mentalmente. E foi assim até o momento em que saímos, eu, minha mãe, meu pai e minha irmã de casa. Agora também percebo, ao abrir a porta, que também não sei o nome de meus pais, meus amigos, eu esqueci tudo...Eu abria a porta para o mundo exterior...

Continua...

Confira a parte um e dois

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